SINOPSE 

O “Refúgio” é um trabalho fotojornalístico que retrata a fragilidade das crianças Rohingya refugiadas no Bangladesh. Os Rohingya são uma minoria ética muçulmana que sofreu grandes atrocidades no Myanmar e encontrou o seu ponto de abrigo nos campos de refugiados do Bangladesh. Pretende-se reforçar a atenção para este tema, nomeadamente para o futuro destas crianças que se mantem incerto e será fortemente afetado por este início de vida marcado pela violência e rejeição. 
PORTEFÓLIO "REFÚGIO"
TEXTO DE APRESENTAÇÃO

Após embarcar numa viagem pela Ásia, em busca de diferentes modos de vida, e de uma tentativa de compreender melhor outras culturas e religiões, esta foi uma das realidades que mais me esforcei por compreender e com a qual não me consegui conformar – os refugiados Rohingya no Bangladesh. 

Milhares de abrigos refugiam milhares de pessoas, os Rohingya, uma minoria ética muçulmana que foge dos ataques militares no estado de Rakhine, no país vizinho Myanmar, onde viviam. Uma guerra que dura há muito tempo mas cuja ação militar se intensificou brutalmente nos últimos anos, como resposta a uma revolta de militantes Rohyinga, e que originou aquela que foi considerada uma das maiores “limpezas étnicas” da História, matando, violando e torturando estas pessoas a quem nunca foi reconhecida cidadania, nem direitos a saúde ou educação, não tem segurança, não tem uma terra, não tem uma vida (digna).  

   Neste conflito onde se misturam questões políticas, éticas e religiosas, o Myanmar recusa reconhecer os Rohingya como seus cidadãos, acusando-os de serem emigrantes ilegais do Bangladesh, contudo esta população vive há décadas neste território, onde segundo consta chegaram durante o período do poder Britânico, para trabalharem ao seu serviço, numa altura em que as fronteiras não eram sequer as que são definidas nos dias de hoje. 

   Aqui, no campo de refugiados no Bangladesh, encontram o seu refúgio, segurança, abrigo e comida, nesta situação que deveria ser temporária mas que se arrasta no tempo e onde estão completamente dependentes da ajuda internacional nesta prisão a céu aberto, onde a esperança de recomeçar uma vida livre e independente começa a desaparecer, e a conformidade com a situação já se reflete em muitos rostos, muitos deles já nascidos aqui. 

As crianças, muitas delas que viram morrer os pais, outras que não chegaram a conhecê-los, olham-nos inquisitivamente, procurando respostas para perguntas e situações que ainda nem compreendem, mas sentem na alma o sofrimento e as dificuldades que os rodeiam. O ambiente em que crescemos e a educação que temos impactam fortemente aquilo que seremos enquanto adultos, e por isso pergunto-me, que tipo de adultos serão estas crianças?

   As dimensões a que esta crise chegou são inacreditáveis e o espaço e condições para estes refugiados que já atingem um milhão começa a escassear, levando o Bangladesh e as forças internacionais a exigirem acordos urgentes para que estas pessoas regressem ao Myanmar, com as condições devidas. Contudo, os acordos continuam a revelar-se ineficazes e a situação continua a arrastar-se aos olhos destas crianças que não conhecem outra realidade. O que é a vida para elas? Quais serão os sonhos de uma criança que só conhece esta realidade?

Apesar da minha inconformidade e de todas as minhas questões em relação a esta temática regressei com algumas respostas face às razões que levaram a esta situação e também com aquele que é o meu primeiro trabalho de fotojornalismo, pretendendo assim alertar mais pessoas para esta, entre muitas, situações que tendem a ser facilmente esquecidas na nossa sociedade.


FICHA TÉCNICA

Corpo: Fujifilm XT-1
Lente: Fujinon 18-55mm


BIOGRAFIA DO AUTOR

Mariana Belo, 25 anos, nascida em Lisboa e criada em Azeitão, cresceu rodeada pela natureza da Serra da Arrábida, onde aprendeu a apreciar a beleza dos seus detalhes e começou desde cedo a fotografá-los, focando-se na fotografia de natureza, paisagem e macro.

Depois de um curso profissional na escola "Oficina da Imagem" descobriu outras áreas de interesse nomeadamente o fotojornalismo e a fotografia de estúdio, que lhe abriram os horizontes para outros tipos de trabalhos.

Apesar de seguir uma área profissional distinta, mantem a paixão por fotografia acesa, tendo inclusivamente dedicado o último ano a viajar, voluntariar e desenvolver o seu portfólio fotográfico, de onde resultou o "Refúgio", com a sua passagem pelo Bangladesh onde esteve 1 mês e meio em 2018.

Atualmente a sua fotografia foca-se no retrato das pessoas, dos seus movimentos e formas, documentando diferentes realidades e, claro, nunca esquecendo as maravilhas da Natureza. 

Back to Top